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Cadeia
produtiva do segmento está organizada em comitê
na Fiergs. |
Pinheiro
Americano preocupa comunidades
De acordo com o inventário florestal contínuo
do Rio Grande do Sul, o aumento de florestas plantadas
no Estado foi de 100.352ha nos últimos 18 anos,
o que representa 0,35%. Uma das espécies mais utilizadas
nos reflorestamentos é o Pinus Eliottii ou o Pinheiro
Americano, como é popularmente conhecido. De importância
comercial singular, esta espécie de pinus oriunda
dos Estados Unidos é muito utilizada pela indústria
moveleira, por sua qualidade e versatilidade.
O inventário recomenda a implementação
de uma política de estímulo ao plantio de
novas florestas, a fim de evitar, a médio prazo,
a escassez de madeira de qualidade. Embora o reconhecimento
pela necessidade de plantar florestas seja uma unanimidade
entre os especialistas na área, muitas vozes têm
se levantado para o perigo das plantações
descontroladas, sem o manejo adequado de espécies
exóticas (não-naturais na região)
como o Pinheiro Americano.
De acordo com a Ageflor, Associação Gaúcha
de Empresas Florestais, a |
| cadeia
produtiva de base florestal no Rio Grande do Sul gera
um PIB em torno de R$ 3,5 bilhões anuais, distribuídos
na indústria moveleira, com R$ 2,5 bilhões,
celulose e papel R$ 500 milhões e R$ 500 milhões
em outros segmentos, como madeira serrada, construção
civil, chapas, aglomerados, postes, lenha, carvão
e não-madeiráveis, como tanino e resinas.
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A associação enfatiza que "esse segmento
da economia gaúcha é responsável pela geração
de mais de 200.000 empregos diretos e indiretos e participa
em 5% na receita do ICMS estadual", sendo que o pinus eliottii
é a terceira maior cultura de árvore exótica
no Estado.
Esta espécie é de fácil propagação,
na medida que dispersa suas sementes durante todo o ano e, em
algumas épocas, chega a atingir um índice de cerca
de 90% de germinação. A associação
Núcleo Amigos da Terra Brasil fez em 1999 uma denúncia
ao Ibama e ao Ministério Público sobre a plantação
de árvores exóticas na área do Parque Nacional
da Serra Geral, entre elas o Pinus Eliottii e o Eucalipto, que
impacta no consumo de água nas áreas onde é
plantado.
A coordenadora executiva da entidade, Káthia Vasconcellos
Monteiro explica que a associação é favorável
ao desenvolvimento de florestas plantadas. "Nossa preocupação
é de que se defina um zoneamento adequado para estas
plantações, evitando a contaminação
de áreas protegidas e garantindo a manutenção
das paisagens naturais".
Khátia contesta a noção de "deserto
verde", afirmando que o pinus eliottii não impede
a desenvolvimento de outras espécies vegetais. O núcleo
defende, assim, que as florestas sejam plantadas em regiões
onde elas já tenham existido e jamais em áreas
como o pampa gaúcho, por exemplo, onde o "impacto
por plantações de florestas pode ser desastroso",
explica Káthia. Ela cita o Parque Nacional da Lagoa do
Peixe como um exemplo onde a invasão de árvores
exóticas mudou a direção dos ventos na
área de preservação. Com isso, a areia
carregada pelo vento está assoreando parte do canal responsável
pelo trânsito de animais da lagoa, afetando a fauna, a
flora e os recursos hídricos da região.
O eng. florestal Juarez Hoppe, professor da UFSM, explica que
a árvore adaptou-se de forma excelente no Estado e foi
fundamental para alavancar o setor florestal brasileiro. Por
ser de regeneração intensiva, ela ampliou, em
determinados locais, seus povoamentos de forma irregular. O
eng. alerta, no entanto, para a importância econômica
deste setor e afirma que não existe qualquer necessidade
em erradicar o pinus do Estado, mas, pelo contrário,
apenas manejá-lo adequadamente, aprimorando os cuidados.
Hoppe explica, também, que não existe uma distância
de proteção padrão para evitar a invasão
em áreas protegidas. Cada caso deve ser analisado individualmente
por um profissional, já que são diversos os fatores
que influenciam neste aspecto. Hoppe cita, por exemplo, as plantações
próximas a estradas, que podem levar sementes por longas
distâncias.
A região do Alto da Serra já vem se preocupando
com a questão há um certo tempo. As plantações
de florestas tem tido um impacto econômico positivo na
região, movimentando a indústria moveleira e gerando
negócios em diversos níveis. Existe, no entanto,
o interesse da região em se transformar em um pólo
turístico no estado, em razão do seu potencial,
principalmente, das belezas naturais.
A plantação descontrolada de florestas pode pôr
um fim nesta ambição, já que impactaria
diretamente sobre a manutenção das paisagens.
O secretário de agricultura do município de São
José dos Ausentes Fábio Gelson Williges explica
que a prefeitura está estudando a possibilidade de limitar
a cerca de 10% da área do município a plantação
de florestas exóticas. "Isto ainda está sendo
estudado em conjunto com a secretaria de turismo e demais envolvidos.
Pretendemos encaminhar a questão à Associação
dos Municípios das Hortênsias e buscar uma solução
conjunta para toda a região", conclui.
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