|
CÂMARA
DE ENGENHARIA CIVIL
Diferenças entre os receptores GPS de levantamento
e de navegação em aplicações técnicas
*Rodrigo Salomoni
Engenheiro Cartógrafo e Técnico em Eletrônica
CREA 122908
Os ditos receptores GPS de levantamento são equipamentos
que diferem em pontos importantes dos receptores voltados
à navegação e também chamados
de recreacionais. A principal diferença está
no registro das observações de satélites:
enquanto os aparelhos de levantamento armazenam estas observações
na sua forma bruta, para posterior processamento, os de navegação
não fazem este registro, pois não necessitam
destes dados para gerar posições precisas. Outra
fundamental diferença, entre estes aparelhos, são
as definições de filtros de qualidade dos dados
registrados, que podem ser configuradas nos receptores de
levantamento, e que não estão disponíveis
nos aparelhos para navegação, fazendo com que
estes possuam poucos critérios para restringir resultados
indesejados (coordenadas imprecisas). Estes filtros podem
ser basicamente de 4 tipos: filtro de qualidade posicional
(Dilution of Precision - DOP), filtro de elevação
ou máscara de elevação, filtro de mínimo
de satélites e filtro de intensidade de sinal. Se uma
determinada observação não atender aos
critérios mínimos impostos pelos filtros, não
é considerada.
Uma recente mudança ocorrida no sistema do Global Positioning
System - GPS , fez diminuir aparentemente a distância
entre aparelhos recreacionais e de levantamento. Desde o dia
02 de maio de 2000, o segmento civil de usuários do
GPS, vem experimentando a ausência da imposição
denominada de Disponibilidade Seletiva (Selective Availability
- SA). Este programa, gerido pelo Departamento de Defesa norte-americano,
tem o objetivo de degradar os sinais emitidos pelos satélites
da rede GPS, impossibilitando posicionamento preciso para
a comunidade civil. Na prática, observando o resultado
de um rastreamento abundante dos satélites em posição
fixa, podíamos notar no período que antecede
a desativação da imposição, que
as diversas posições obtidas variavam dentro
de uma "nuvem" com menos de 300 metros em seu maior
eixo. Após a desativação do programa,
esta "nuvem" se mostrou reduzida em cerca de 10
vezes, ou seja, menos de 30 metros em seu maior eixo.
Com isto, algumas pessoas do setor de mapeamento e cartografia,
passaram em um primeiro momento a ver com olhos otimistas
os receptores GPS de navegação, até mesmo
para atividades como atualização cartográfica.
A principal argumentação de quem defende o uso
dos receptores recreacionais em aplicações cartográficas
é o fator de escala dos produtos cartográficos:
por exemplo, numa carta na escala 1:250.000, onde 1 milímetro
plotado no papel, corresponde a 250 metros no terreno cartografado,
o erro posicional torna-se insignificante. Mesmo que o erro
fosse de 60 metros, corresponderia a uma fração
do milímetro na carta. Mas quem pensa assim hoje, se
esquece de que a cartografia digital é uma realidade,
e devemos primar por resultados mais exatos para beneficiar
projetos futuros, que com certeza serão gratos a nossa
preocupação com exatidão no presente,
além do mais, o conhecimento da precisão de
qualquer procedimento de levantamento é pressuposto
para o traçado cartográfico.
Trabalhos chamados topográficos por seus executores,
quando executados com receptores GPS de navegação,
podem e devem ser sempre colocados em dúvida, em função
do desconhecimento da precisão posicional obtida em
cada leitura. Principalmente, é necessário chamar
a atenção para a responsabilidade técnica
do profissional que executa serviços de levantamentos,
pois podem ser desastrosas e sérias as conseqüências
de um trabalho tecnicamente ruim. Nos dias atuais, é
raro o profissional da agrimensura emitir Anotação
de Responsabilidade Técnica para serviços, salvo
em casos exigidos por lei ou pelo contratante, quando deveria
ser a prática usual.
Existem diversas técnicas de levantamento e processamento
que podem ser aplicadas aos trabalhos com receptores GPS de
levantamento, oferecendo precisões como por exemplo,
5mm + 1ppm (5mm mais uma parte por milhão em distância)
nos receptores geodésicos. A capacidade de permitir
o geo-referenciamento através de estações
base GPS de rastreamento contínuo é o grande
atrativo dos aparelhos de levantamento, poupando a ocupação
em posição referenciada e criando o conceito
de "equipe de um homem só", uma vez que o
agrimensor opera sozinho seu instrumento de levantamento topográfico,
em qualquer horário do dia, obtendo os dados da estação
base pela internet para o processamento diferencial.
Uma rede de marcos medida com receptores GPS de levantamento,
cujas posições sejam conhecidas, é hoje
o principal instrumento com que o agrimensor conta para que
seus trabalhos estejam inequivocamente posicionados no espaço,
com coordenadas referidas ao Sistema Geodésico Brasileiro.
Contamos com uma rede assim no Estado do Rio Grande do Sul,
recém implantada, por iniciativa da Secretaria de Agricultura
e Abastecimento e processada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística - IBGE, através do seu
departamento de geodésia (http://www.spg.com.br/noticias)
A questão da precisão posicional só é
efetivamente resolvida com o uso da técnica correta
de processamento, sendo completamente desaconselhado o uso
de receptores de navegação, que não permitem
correção diferencial, onde se necessita garantir
exatidão compatível com cartografia ou topografia.
A tabela a seguir mostra as principais diferenças entre
os aparelhos das duas modalidades.
|
Diferenças entre os tipos de receptores GPS |
Recurso
|
Levantamento |
Navegação |
Registro
de observações de satélite
|
Sim |
Não |
Registro
de coordenadas
|
Sim |
Sim |
Filtro
DOP
|
Sim |
Não |
Filtro
elevação
|
Sim |
Não |
Mínimo
de satélites
|
Sim |
Não |
Precisão
em posição
|
Conhecida |
Desconhecida |
Precisão
em distâncias
|
Conhecida |
Desconhecida |
Processamento
diferencial
|
Sim |
Não |
Cálculo
de área
|
Sim |
Sim |
Exportação
de dados
|
Sim |
Sim |
| Preço
(U$) |
a
partir de 6500 |
a
partir de 250 |
Voltar
|